A irmandade do Cebolo...
Nunca é demais falar de Eurico A. Cebolo - um mito no panorama musical português. Os seus livros Piano Mágico 1, 2, 3, ou Orgão Mágico 5, 6 e 7 permanecem guardados nas gavetas de centenas e centenas de jovens estudantes de música. Não porque sejam livros tecnicamente bons, mas porque livros tendo na capa "um pastor alemão a tocar piano" são raros e preciosos.
Porém não é a vertente musical de Eurico Cebolo que mais me fascina. Este senhor também já publicou alguns romances, autênticas pérolas da literatura contemporânea como "A Prostituta Virgem", "A Santa Assassina", "Incesto sem Pecado", "Matavam as freiras grávidas", "O Falo Perdido" e "O Violador das Mortas".
Não posso deixar de transcrever aqui um excerto do prefácio de "Casei com a minha irmã":
Casei com a minha irmã é um romance onde o espírito criador, a capacidade de imaginação e a grande versatilidade cativam o leitor que, entrando nesta teia tão bem urdida, estará sempre ansioso pela página seguinte. Num estilo muito próprio, sóbrio e sem quaisquer rebuscamentos, deliciamo-nos com a pureza de linguagem de um Eça, a fecundidade de ideias de um Camilo e o encanto e simplicidade de um Torga. Em Casei com a minha irmã é burilada uma estória que poderia ser verídica e ter acontecido em qualquer tempo e lugar.

Honra à obra desse grande homem da música e das letras, Eurico Cebolo.
ResponderEliminarFalta uma referência ao "Maldição Cigana", do qual aqui fica um excerto do prefácio:
"Ao iniciar este despretensioso preâmbulo cumpre-me antes de mais, felicitar Eurico A. Cebolo pelo tema deveras fascinante e actual que escolheu para o seu novo romance. (...) Na leitura desta obra mergulhamos numa história arrebatadora, com extraordinário entrosamento e um desfecho tão empolgante como inesperado, bem ao jeito da destreza mental a que o autor já habituou os leitores.
Fiel ao espírito filantrópico, Eurico A. Cebolo presta, assim, um contributo para que a paz e a concórdia reinem no Universo entre os humanos e passemos a olhar com mais tolerância os ciganos, esses marginalizados seres que, arrostando sacrifícios e carências de toda a ordem, calcorreiam os caminhos do mundo como folhas secas empurradas pelo vento.
Manuel Rodrigues de Freitas "